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[2] O Kitaro é um rival? Ou um companheiro?
- [3] Obrigado por criar o tópico!
[5] >>2 Nunca encontrei o Kitaro, mas se ele existisse, seria um concorrente de negócios, né? Porque o serviço dele é de graça.
- [6] Ia acabar com o seu negócio, hein (risos)
[7] Continuação do tópico anterior. Bem quando eu estava prestes a entrar no meu quarto (※será que ele quis dizer ‘quarto’?), um som de campainha, alto o suficiente para ecoar por todo o lugar, tocou. Parecia que tinha chegado visita, e eu pensei, “ah, o Wan-kun cuida disso”, e ia deixar pra lá. Mas depois de um tempo, o andar de baixo (eu estava usando um quarto no segundo andar) ficou meio barulhento, ouvi vozes que pareciam de crianças chorando e gritando, e fiquei curioso. Troquei meu pijama pela roupa normal e fui ver o que estava acontecendo. Chegando lá, naquela sala de recepção? Onde me levaram de manhã, tinham uns 3 ou 4 homens que pareciam locais e uma mulher. Ela segurava uma criança no colo, que estava chorando. Um dos homens estava falando algo com o Wan-kun. Depois que a conversa acabou, o Wan-kun saiu da sala. Perguntei o que tinha acontecido, mas ele parecia com pressa e me ignorou. Fiquei olhando, curioso pra saber o que era, e logo o Wan-kun voltou para a sala, trazendo um estetoscópio.
- [8] Será que colocaram algum inseto nele?
- [9] Expectativa.
- [12] E a continuação?
- [13] >>12 Espere com paciência. Este é o tipo de tópico assim.
- [16] A propósito, esses “insetos”, são tipo lacraias e coisas nojentas assim? Ou não têm forma?
- [17] Parece que usam insetos vivos, cães, gatos, etc., vários animais… Acho que é disso que fala o “pecado de derrubar bestas e fazer majimono (coisas amaldiçoadas)” no Ōharae no Kotoba. Esse tal de Kodoku (veneno de inseto), dizem que o efeito é tremendo, mas o rebote também é brutal.
Ōharae no Kotoba é uma das importantes Norito (palavras de oração) no Xintoísmo. É recitada para purificar pecados e impurezas.
- [18] Uau ^^;
- [20] A diferença pro meu cotidiano é tão grande que nem parece real, mas esse tipo de mundo realmente existe, né?
- [29] Estava esperando!!
[40] Continuação. O Wan-kun, com o estetoscópio, começou a fazer algo como um exame na criança. Depois, com uma expressão séria, começou a conversar com os adultos. Fiquei olhando aquilo meio sem entender por um tempo, até que meus olhos encontraram os do Wan-kun. Ele veio na minha direção, ainda com aquela cara séria. Perguntei o que tinha acontecido. Aparentemente, na cidade onde o senhor Li e o Wan-kun moravam, não havia um médico oficial. Normalmente, eles faziam o papel de médicos. E naquele dia, a criança daquelas pessoas que tinham vindo estava reclamando de dor de barriga desde a manhã. No começo, não deram muita importância, mas à noite a dor ficou insuportável, a criança começou a gritar, e não tiveram escolha a não ser procurar o senhor Li. Foi aí que senti que entendi um pouco por que o Wan-kun e os outros eram tão respeitados pelos locais. Eram os únicos por perto que podiam examinar doenças. Enfim, o Wan-kun, apesar de ser aprendiz, parecia ter algum conhecimento, e disse que a criança parecia estar com apendicite aguda.
- [41] Chegou!
- [42] Estava esperando!
[44] E parece que a situação era bem crítica, um sintoma que precisava de cirurgia imediata ou seria perigoso. O senhor Li e o Wan-kun tinham algum conhecimento cirúrgico e, muito raramente, faziam pequenas cirurgias. Já tinham até tirado apêndices antes. Mas geralmente era o senhor Li o principal e o Wan-kun ajudava. Claro, nenhum dos dois tinha licença médica. E naquele dia, o senhor Li estava fora, e ir até o hospital grande mais próximo levaria 30 minutos a pé e mais 3 horas de carro. Apendicite em criança progride rápido e pode perfurar facilmente. Nessas condições, a vida da criança corria perigo. Por isso, queriam tentar operar ali mesmo, e me pediram ajuda. Eu fiquei tipo “Hã?!”, pensando que devia ter outra pessoa pra ajudar, me senti como o Shinji quando mandaram ele pilotar o Eva pela primeira vez. Na hora, pensei “Por que eu?”, mas eles insistiram tanto, imploraram, o Wan-kun e os locais, dizendo “Não me responsabilizo pelo que acontecer, hein!”, e acabei indo com eles para um lugar que parecia uma sala de cirurgia. Era num canto do que seria o terceiro andar do prédio, e parecia limpa, mas ainda assim, a higiene me preocupava. E o equipamento era super simples, pensei “Ei, ei, tá tudo bem operar com isso?!”. Me fizeram vestir algo como um jaleco branco, e usando instrumentos cirúrgicos que pareciam novos, ainda na embalagem, o Wan-kun começou a operação. Mas, estranhamente, apesar de ter me pedido ajuda, ele não me deu nenhuma instrução ou pediu pra fazer nada.
[45] Fiquei parado, observando a cirurgia. A habilidade do Wan-kun era impressionante. Ele parecia o Black Jack, foi legal pra caramba. Sem entender muito bem, a cirurgia acabou em cerca de 1 hora e meia ou 2 horas? A criança dormia tranquilamente. O Wan-kun parecia exausto. Então, ele me disse “Venha comigo”, me instruiu a segurar o pedaço de carne retirado? Acho que era o apêndice, e puxou uma saliência no chão da sala de cirurgia. Apareceu uma escada estreita, e ele perguntou: “Desculpe, mas você é o único a quem posso pedir isso agora. Você conhece os Vermes Sanshi (Sanshichū)?”
- [46] É aquele lance de que tem três tipos de deuses no corpo humano…? Acho que os que fazem mal eram os vermes Sanshi alguma coisa.
- [47] São aqueles três, superior, médio e inferior, que enquanto a gente dorme vão reportar nossas más ações pro Imperador Celestial?
- [48] >>47 Pesquisei e achei Sanshi ou Sanchū. Como você disse, parece que tem o superior, médio e inferior. Parecem ser vermes do Taoísmo.
[66] Desculpa. Amanhã à noite terei um pouco mais de tempo, vou me esforçar.
- [67] Estou animado, mas espero com calma, não se esforce demais.
- [68] Estarei esperando.
- [70] Bump.
- [72] Onde e que tipo de youkai costuma aparecer mais?
- [76] Ainda não?
- [77] Bump.
[78] Continuação. Os Vermes Sanshi eram algo que eu conhecia relativamente bem. Segundo meu mestre, era um dos tipos com os quais eu menos queria me envolver. Alguém já pesquisou bastante sobre isso antes, mas acho que é basicamente isso. Antigamente, as pessoas não sabiam por que envelheciam, então entendiam que vermes comiam a vida delas. Os Sanshichū vivem no corpo humano e se alimentam da força espiritual, ou energia vital, algo assim. O problema é que eles ficam mais felizes quanto mais sugam, não pensam nem um pouco no hospedeiro e acabam matando a pessoa de tanto sugar. Depois, como se nada tivesse acontecido, vão parasitar crianças recém-nascidas. Quando um humano tenta seguir o Caminho (Tao), primeiro precisa matar esses vermes. Por isso, antigos taoístas comiam “dan” (elixir) feito de metais pesados como mercúrio. Era tipo “Se eu matar os Sanshichū e entrar no Caminho antes de morrer!”, mas não é tão fácil assim. Dizem que até deuses podem ser sugados até a morte pelos Sanshichū. Ou seja, são realmente perigosos. Pode ser um exemplo ruim, mas pensem naquele deus-javali do início de “Princesa Mononoke”, de onde saíam muitas coisas pretas e sinuosas. Aquilo pode servir como imagem dos Sanshichū.
- [79] Começou!
[80] Bem, os Sanshichū são isso aí. Quando perguntei o que tinha a ver, o Wan-kun, enquanto me levava escada abaixo, perguntou de novo: “E sobre o Danryūkō?”. O Danryūkō também é uma história bem famosa. A origem também é na China antiga. Zhu Yuanzhang, fundador da dinastia Ming, temendo que sua dinastia fosse derrubada por outra, ordenou a seus subordinados que destruíssem as Veias de Dragão (Ryūmyaku) por toda a China. As Veias de Dragão são, bem, lugares incríveis em termos de Feng Shui, e antigamente acreditava-se que não se podia virar imperador sem pegar emprestado o poder delas. Bem, mesmo pegando emprestado, dizem que mudanças na crosta terrestre podiam alterar o fluxo das Veias de Dragão e causar a troca de dinastias. E o método usado para destruir todas essas veias foi o Danryūkō. Mas, por causa dessa ação dos Ming, mesmo que as Veias de Dragão Ming enfraquecessem, nenhuma outra dinastia surgiu do povo Han, e em vez disso, foram dominados pelos Qing, um povo estrangeiro. Uma história relacionada a isso nos tempos modernos envolve o Japão durante a Segunda Guerra Mundial. O Japão, um país pequeno, ocupou o Sudeste Asiático, mas como os países dominados tinham muito mais gente e terra, eles aparentemente destruíram as Veias de Dragão por lá. Bem, não sei se isso foi inútil no final, mas foram atacados pelo lado do Novo Continente, não pelo Sudeste Asiático.
[81] E, enquanto conversávamos sobre isso e descíamos as escadas, senti de repente algo me puxar pelos ombros, para trás. Dentro da escada estava bem escuro, mas eu tinha certeza de que não havia ninguém atrás de mim. Mas senti muitas respirações, ou algo assim, vindo de trás. E senti um cheiro estranho de queimado. Parei um pouco, e o Wan-kun, achando estranho, disse “Venha logo”. Eu respondi: “Desculpe, mas não consigo descer mais”.
- [82] Chegou!
[83] Como eu disse antes, aquelas doninhas que meu avô queimou até a morte não estão exatamente satisfeitas com a vingança completa. Elas ainda ficam me provocando e brincando comigo até hoje. E eu, de certa forma, até queria ser provocado. Não que eu seja masoquista, mas acho que tenho um forte sentimento de culpa pela morte da minha família, tipo, se eu tivesse impedido minha irmã naquele dia, ou algo assim. Talvez eu quisesse alguma punição. De qualquer forma, parece que para elas, eu ainda sou divertido de provocar, e muito raramente elas até ajudam. Aparentemente, seria chato pra elas se eu morresse ou chegasse perto disso. Por isso, quando tento ir a lugares realmente perigosos, elas me param assim. Para mim, que não tenho nenhuma sensibilidade espiritual, é útil, mas a existência delas é um incômodo. Faz parte do trabalho ir a esses lugares perigosos. Só que aprendi que, no final das contas, só me causam medo à toa e eu acabo tendo que ir de qualquer jeito. Mas desta vez era diferente, não havia nenhuma razão para eu ir, então o melhor era não me aproximar se era perigoso. Por isso, tentei recusar a ajuda ao Wan-kun.
[84] Então, o Wan-kun disse, irritado: “Tem um Danryūkō cravado aqui embaixo. Não consigo sozinho, me ajude”. Eu fiquei tipo “O quêêê?!”, mas ao ouvir isso, entendi. A combinação de Danryūkō e Sanshichū é bem conhecida. Ou seja, eu não fui chamado para ajudar na cirurgia, mas sim para ajudar em um ritual chamado “Shukushi” (Morte Celebrada).

- [85] >>78 Não é porco, é javali…
- [86] >>78 Não é porco, é javali…
[87] >>72 Depende do lugar, mas acho que aparecem mais onde as pessoas não gostam/onde não há muitas pessoas.
- [88] Estou vendo.
[89] >>86 Um javali que não voa é só um porco! (ficando irritado de volta)
- [92] Interessante.
- [105] Oh! Estou ansioso pela continuação.
- [172] Parece que em outro tópico tinha alguém chamado de “Santuário Ambulante”. Dizem que por onde ele vai, tudo é purificado, então os médiuns dizem “Não venha aqui (risos)”. Parece que ele purifica até mesmo rituais comuns e os reconstrói como rituais puros e belos. Claro, maldições são purificadas e transformadas em bênçãos. Se ele for a ruínas de locais assombrados, rola exorcismo forçado e tal.
- [173] Uau, incrível. A propósito, qual tópico?
- [174] >>172 Incrível!
[175] Só purificar assim, sem questionar, significa acumular carma (Gō) sem parar, então acho bem perigoso.
- [176] >>175 Bem-vindo de volta!
- [177] Estava esperando!
[178] Continuação. O “Shukushi” é uma cultura que nasceu na China durante a dinastia Qing, criada pelos Xamãs (Saman). A dinastia Qing foi um estado criado por uma minoria étnica da China, os Jurchen, e os Xamãs eram como os oráculos desse povo. E esse “Shukushi” é um ritual extremamente assustador. Consiste em plantar os Sanshi na Veia de Dragão que foi cortada. Não sei os detalhes da lógica, mas basicamente eles se multiplicam em uma velocidade incrível usando a “carcaça?” da Veia de Dragão. Com isso, é possível criar artificialmente os Sanshichū.
[179] Usavam isso para várias coisas com os Sanshichū, mas esse ritual tinha uma desvantagem enorme. Os Xamãs da época não pareciam pensar muito no futuro, mas os Sanshichū plantados, enquanto devoravam a Veia de Dragão, se multiplicavam cada vez mais e, no final, transbordavam. Na China do século 18 e início do 19, muitas pessoas morreram em guerras, e dizem que a razão foi que esses Sanshichū, que haviam se multiplicado demais devido ao “Shukushi”, finalmente estouraram o Danryūkō, que servia como uma espécie de “bueiro”, e jorraram para fora.
- [184] >>175 Acumula carma, é? Quero saber mais sobre acumular carma. Ouvi dizer que algum deus está com a pessoa e por isso acontece isso. Seria como se a pessoa fosse um santuário com um deus dentro?
- [185] >>184 Eu também ouvi falar de gente assim. Pelo que ouvi, não acho que haja preocupação em acumular carma ou algo assim. Dizem que há pessoas com dragões que trabalham juntos (não como shikigami ou coisas que humanos controlam), talvez seja algo parecido.
Shikigami são entidades espirituais que se diz serem usadas por Onmyōji (mestres de Yin-Yang) e outros. Eles seguem as ordens do conjurador para realizar várias tarefas.
[186] Acho que é uma diferença na percepção do que é “carma” (Gō), é muito complexo e eu também não consigo explicar bem, mas existe a causalidade, certo? Há uma causa e nasce um resultado. Esse conceito é muito importante. Por exemplo, digamos que você receba um presente de alguém. Essa pessoa provavelmente te envia por boa vontade, ou talvez esperando algo em troca, com esses sentimentos. E quem recebe, não importa o que pense sobre isso, nasce uma conexão entre os dois. Essa conexão é o que chamamos de causalidade (Inga). Antigamente, no treinamento para se tornar um eremita (Sennin), era melhor ter o mínimo possível dessa causalidade. Sobre as pessoas que purificam, não sei se existem de verdade, mas se existissem, por exemplo, digamos que haja um youkai na beira da estrada. Esse youkai não está fazendo nada de mal, apenas observando os humanos, pensando “humanos são interessantes”. Aí passa essa pessoa que purifica. O youkai é purificado e desaparece sem deixar vestígios. No entanto, esse youkai também tem amigos e família. A pessoa que purifica não tem má intenção, mas sem perceber, acaba criando uma relação ruim com esses companheiros do youkai. Se a causa é ruim, não tem como o resultado ser bom. Essa causa ruim foi o que meu mestre me ensinou como “carma” (Gō). Purificar sem questionar, na minha opinião, é o mesmo que sair pela cidade matando pessoas indiscriminadamente e destruindo coisas aleatoriamente, por isso, pelo menos para mim, parece bem perigoso.
[187] Outra coisa, por exemplo. Digamos que haja alguém endividado. Aí, uma pessoa mata essa pessoa endividada. A pessoa endividada não pode mais pagar a dívida, certo? Então, o que acontece com a dívida? No mundo da causalidade, quem matou a pessoa endividada terá que pagar. Se você mata um youkai, a conexão das maldades que aquele youkai fez passa a ser de quem o matou. Acho que essa é a responsabilidade de quem matou. Bem, resumindo de forma simples, acho que é tipo: “Já que ele está fazendo coisa ruim, não seria estranho receber um castigo um dia, né?”. Você pode pensar: “Purificar é ruim?”. Mesmo que seja algo sujo, se existe, tem uma certa vontade do céu, ou ordem natural, não consigo expressar bem, mas existe algo assim, então acho que não é bom simplesmente destruir isso.
- [188] Causalidade = conexão, hein? Só de viver normalmente já parece que estamos presos na causalidade, pro bem ou pro mal. Seja com pessoas ou coisas, enquanto houver contato, não tem jeito.
- [189] >>186 Humanos têm vontade, desejos, ou seja, causas boas e ruins são inevitáveis. Talvez os eremitas buscassem escapar desse ciclo. Ouvindo isso, penso que enquanto estivermos vivos, não há como escapar nem do carma nem da virtude. Se a existência de youkais que desaparecem com a purificação faz parte da ordem natural, então o conceito de “purificação” que os apaga também é parte da ordem natural. Ao exercê-la, alguém (ou algo, ou algum lugar) é purificado e pode viver, mas ainda assim, o youkai é morto. Não consigo explicar bem, mas sinto que é sempre uma questão de dois lados da mesma moeda.
[213] Gostaria que as perguntas fossem mais focadas em youkais, se possível. Não sou muito conhecedor de outras áreas. Mas, em qualquer campo, acho que a ideia de “está causando dano = então é só purificar” está definitivamente errada. Não acredito que exista alguém na sociedade moderna capaz de fazer isso, pelo menos eu não acredito, mas mesmo que existisse, acho que é algo que não deveria ser feito. Aliás, continuando a história do carma, fazer algo ruim não significa necessariamente que uma retribuição virá. Se você pratica bullying, a pessoa que sofreu bullying vai te odiar, certo? Então, essa pessoa que te odeia pode de repente explodir e tentar te matar. Essa “possibilidade” é o que eu entendo como carma. A chance de algo ruim levar a um resultado bom é pequena, mas a chance de fazer algo bom e isso causar algo ruim é bem alta, talvez seja por isso que dizem para não criar laços causais levianamente.
- [215] Quero ouvir a continuação!
- [216] Continuação, por favor!
- [252] Youkai é algo novo. Já li muito sobre coisas espirituais. Lembrei da série do Masaru, o amaldiçoador.
- [254] Minha percepção: Fantasma -> espírito de humano, Youkai -> criaturas estranhas desde o nascimento.
[255] Sobre o carma, acho que é assustador porque não pode ser purificado. Pelo menos eu não conheço um método. Dizem que não desaparece nem com a morte, mas pode ser transferido para outros. A maior diferença entre youkai, fantasmas e pensamentos/espíritos é que youkais estão vivos e fantasmas estão mortos.
[256] Dizem que fantasmas não têm pés, isso significa que, por estarem mortos, não têm força física real. Então, como eles interagem com as pessoas? Mostrando alucinações. Youkais são físicos? Por exemplo, digamos que você ouça passos no quarto sem motivo. Nesse caso, se você procurar e não encontrar nada, há uma alta probabilidade de ser uma alucinação causada por um fantasma. Se houver alguma evidência física, como pegadas, então é um youkai.
[257] Sobre como humanos se tornam youkais, não sei muito sobre isso, mas há um ditado chinês que diz “人不死、即成妖” (Hito fushi, sunawachi yō to naru – Se um humano não morre, torna-se um youkai), então acho que é só viver bastante.
- [258] >>256 Hmm. Então talvez o que eu sempre vejo seja um fantasma. Mesmo que ele se mova, não ouço passos. Mas quando corre, acho que ouço som. Isso seria considerado youkai?
[259] Vou deixar a história escrita. >>258 O som pode ser alucinação, então não dá pra dizer com certeza. Se for um youkai, acho que haveria alguma evidência, como pelos de animal ou pegadas estranhas.
- [260] Uma vez, num lugar onde o espaço ficava meio turvo e fazia barulho, deixei água, sal e oferendas, e depois encontrei uma quantidade enorme de poeira e algo longo como cabelo. É desse tipo de coisa?
[261] >>260 Nesse caso, há a possibilidade de ser um youkai.
- [264] Chegou! Estava esperando.
[265] Continuação. Bem, a China sofreu as consequências do Shukushi quase que por culpa própria, mas na verdade, o Japão também sofreu bastante com isso. Como eu disse antes, durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão andou cortando as Veias de Dragão dos países do Sudeste Asiático. Há uma história dessa época sobre um especialista em Feng Shui de algum país que foi forçado pelo exército japonês a servir de guia. Ele levou os soldados japoneses até a Veia de Dragão, mas sendo um mestre de técnicas muito poderoso, ele armou várias estratégias, fez com que cortassem a Veia de Dragão e depois matou os soldados. Então, ele enterrou os corpos dos soldados e os Sanshichū na Veia de Dragão, realizando o Shukushi. Usando os corpos e pertences dos soldados, ele criou uma técnica incrível para amaldiçoar o Japão semi-permanentemente. Essa técnica específica é a origem, ou a base, do que chamamos de Kōtōjutsu (Magia da Cabeça Caída). As partes básicas são muito semelhantes, e achei a pessoa que pensou nisso na época realmente incrível. Esse é o tópico principal de hoje, o Kōtōjutsu.
- [266] Ficando interessante!
- [268] >>255 Fantasma morto, óbvio (risos). Youkai seria matéria semi-espiritual, ou seja, metade matéria, por isso está vivo… algo assim? Dizem que há quem veja fantasmas e quem só veja youkais. Eu via fantasmas, minha irmã via youkais. Ela contava experiências como um rosto gigante aparecendo na porta e abrindo e fechando a boca, ou um pequeno oni roubando o travesseiro. Pareciam delírios, mas vendo o quão realista ela é hoje, talvez fosse verdade.
- [270] >>268 Você também vê fantasmas, mas trata a história da sua irmã vendo youkais como delírio e nega?
- [272] >>270 Eu mesmo duvidava se era ilusão de ótica, e eram fantasmas? mais sutis (sombras brancas e tal). Comparado a isso, o que minha irmã via era muito bizarro.
[288] Sobre o Japão estar amaldiçoado, dizem que os japoneses de hoje, comparados a pessoas de outros países, nascem com um Sanshichū a mais. Várias pessoas tentaram de tudo, mas chegaram à conclusão de que é impossível consertar. Por isso, treinamentos espirituais e coisas assim se tornaram praticamente inúteis. Esse é um dos motivos pelos quais Shikigami e o uso de espíritos são impossíveis. Vou falar um pouco sobre esse tipo de treinamento aqui. Não é bom se meter com esses feitiços sem entender direito.
[289] Originalmente, para que serve o treinamento? Dizem que é para se tornar um Sábio (Seijin). E o que é esse Sábio? Por exemplo, se este mundo fosse um tabuleiro de Shogi, todas as pessoas comuns seriam apenas peças.
Shogi é um jogo de tabuleiro tradicional japonês para 2 jogadores. O objetivo é mover as peças para dar xeque-mate no Rei adversário.
[289] Mas o Sábio salta para fora do tabuleiro e se torna o jogador. Ou seja, o Sábio se torna uma existência unida ao céu e à terra. Então, o que é necessário para isso? Primeiro, é preciso entender os quatro conceitos: “Caminho” (道, Dō), “Lei/Método” (法, Hō), “Técnica” (術, Jutsu) e “Recipiente/Talento” (器, Ki). Pode parecer complicado, mas simplificando, digamos que alguém vá de carro de Aomori a Tóquio. Nesse caso, o carro é o “Recipiente” (Ki). Quanto melhor o carro, mais rápido ele anda e mais cedo chega ao destino, certo? Aliás, “Recipiente” não significa as ferramentas usadas, mas sim talento e coisas assim. E a “Técnica” (Jutsu) é a habilidade. Ou seja, com o carro, pode haver uma pequena diferença, mas se um for um motorista veterano com 10 anos de experiência e o outro um novato recém-habilitado, mesmo que haja uma pequena diferença no “Recipiente”, o veterano certamente chegará mais rápido, né? O que é a “Lei/Método” (Hō)? É o método. Ou seja, como ir de Aomori a Tóquio. Por exemplo, um vai de carro, mas o outro vai de Shinkansen (trem-bala) ou avião. Quem vai de Shinkansen ou avião, não importa quão ruim seja o “Recipiente” ou a “Técnica”, por escolher um método mais rápido, certamente chegará a Tóquio mais cedo. E por último, o “Caminho” (Dō).
[290] O “Caminho” (Dō) é a direção de Aomori para Tóquio. Não importa quão rápido seja o método, quão boa seja a técnica ou quão incrível seja o equipamento, se você for na direção completamente errada, mesmo dando a volta ao mundo, não chegará ao destino, certo? Dizem muito “Entrar no Caminho” (Nyūdō). Isso significa “encontrou e conseguiu entrar no caminho correto”. Ou seja, pode-se pensar que, não importa quanto tempo leve, como a direção correta foi encontrada, um dia chegará lá. Só que o destino não é comparável a ir de Aomori a Tóquio, é como uma estrela a bilhões de anos-luz de distância.
[291] As pessoas de hoje que se dizem médiuns ou com sensibilidade espiritual, nesse conceito, são pessoas que dependem do “Recipiente” (Ki). E aqueles que dizem poder usar Shikigami, talismãs e coisas assim (embora eu duvide que possam realmente) são pessoas que dependem da “Técnica” (Jutsu). Segundo meu mestre, o que nós, que reconhecemos corretamente a relação entre humanos e youkais e interagimos com eles, compreendemos é a “Lei/Método” (Hō). Há também aqueles que simplesmente buscam o “Caminho” (Dō), mas isso é impossível, são apenas tolos, segundo ele. Acho que ele estava falando de monges sérios e pessoas assim.
- [292] Lendo isso, percebi que era algo que eu queria perguntar. Que sensação estranha.
[293] Não tenho intenção de zombar dos monges, mas o que há de errado é que, se você apenas seguir o caminho cegamente, não conseguirá lidar com acidentes que encontrar no meio dele. Nós somos humanos, enquanto vivermos no mundo, criamos vários carmas sem perceber. Por causa desse carma, às vezes encontramos coisas ruins e podemos perder a vida. Nesse caso, todo o esforço até então terá sido em vão. Mas, por outro lado, se você depender apenas da Lei/Método (Hō), Técnica (Jutsu) ou Recipiente (Ki), você se desviará cada vez mais do caminho e irá em uma direção ruim. Aquela pessoa que purifica, o “Santuário Ambulante”, o que ela está fazendo é o mesmo que dirigir um carro atropelando pessoas na rua sem nenhum propósito. Então, o que fazer? Mesmo que me perguntem, não há nada que eu possa fazer. Aprimorar a “Técnica” (Jutsu) apenas para benefício próprio também não é bom. É como se, sem um objetivo específico, você resolvesse bloquear o caminho dos outros com seu carro. E quanto ao método (Hō). Mesmo que você erre, pelo menos não causará problemas aos outros. Mas a Lei/Método é algo que as pessoas decidem, então se você se prender a ela e o método estiver errado, será muito difícil corrigi-lo. É como decidir ir de Aomori a Tóquio de carro, mesmo sabendo que o avião é o mais rápido, e depois não ter mais volta.
- [296] Bump.
- [298] Ho.
- [300] O Santuário Ambulante não seria o herdeiro do santuário desta história? No caso dele, ele constantemente abriga um deus em seu corpo, então coisas ruins não conseguem se aproximar. Mesmo assim, ele acumula carma? Acho que é como simplesmente se mover para evitar o sol forte.
- [301] Youkais também podem “Entrar no Caminho” (Nyūdō), será que eles também almejam se tornar Sábios (Seijin)? Quanto à Técnica (Jutsu), não tem jeito. É difícil acreditar no invisível. Parece com “mente, técnica e corpo” ou as Três Virtudes. Equilíbrio e sua unificação em um nível superior… talvez seja isso o importante.
[302] >>294 Foi erro de digitação. É “Recipiente” (Ki). >>300 Nesse caso, cria-se uma dívida com o deus. Deuses não ajudam ninguém de graça, eles devem esperar algo em troca, então é ainda mais complicado. Por isso, o carma também vem junto. >>301 No caso dos humanos, muitos que entram no caminho almejam se tornar Sábios, mas os youkais talvez tenham outros objetivos. Talvez agir corretamente em prol do próprio objetivo seja chamado de “Entrar no Caminho”.
[303] Talvez o significado original do seu nascimento, o objetivo da sua vida, essas coisas sejam importantes. Escrevo a continuação da história amanhã. Boa noite.
- [305] A história do >>1 é muito interessante. Vou manter o tópico ativo, então continue com calma, por favor!
- [307] >>302 Obrigado pela resposta. De fato, não acho que deuses ajudem de graça. Relendo a história que postei, a família dele, antes de abrigar o poder do deus, carregava um fardo terrível de ter que suprimir algo monstruoso. Dizem que quem ganha algo, perde algo, mas pela sua lógica, >>1, seria quem ganha algo, carrega algo (carma)?
- [313] Ho-sshuh-sshuh.
- [316] Será que existem seres como Dragões (Ryū) ou Mizuchi? Uma colega de trabalho de meio período parece ser alguém que vê essas coisas, e ouvi dizer que havia um Deus Dragão em uma pequena cachoeira de um certo santuário… Será que isso é um pouco diferente de youkai?
Mizuchi é uma criatura espiritual aquática semelhante a um dragão que aparece nas lendas japonesas.
- [317] O mundo invisível parece ter tantas coisas diferentes, é incrível. Bestas fantásticas e tal. Por que será que eu não consigo ver? Sinto que estou perdendo algo.
- [319] Talvez ver também seja uma forma de carregar um certo tipo de carma.
- [326] O aumento dos Sanshichū é por causa de uma maldição da China?
- [327] Acho a história do >>1 maravilhosa. Como você diz, talvez manter o coração puro leve à paz. Pensar só em si mesmo provavelmente gera carma. Se conseguirmos acreditar que o que os japoneses acumularam ao longo de sua longa história não era mera superstição, o país se tornará melhor e poderemos ter vidas mentalmente mais felizes…
- [328] Onde os youkais ficam hoje em dia? Queria poder ver youkais também.
[331] Não sei quem fez essa maldição, e pelo menos eu não conheço o método detalhado. Não sou um usuário de Kōtōjutsu. Basicamente, enterram os corpos dos soldados japoneses mortos ao redor do Danryūkō, e de alguma forma fazem com que as almas dos soldados e os vermes Sanshichū pensem que esses corpos estão vivos. As almas, pensando que o corpo não morreu, não se separam completamente dele. Os vermes Sanshichū entram no corpo, percebem “ah, isso é um cadáver mesmo”, saem e parasitam a Veia de Dragão morta. Então, os Sanshichū que parasitaram a Veia de Dragão se multiplicam demais, atingem um ponto crítico e saem novamente da Veia de Dragão. Mas aí, eles criam uma espécie de barreira para impedir os Sanshichū. Como resultado, o que os Sanshichū fazem? As almas nos corpos dos soldados japoneses estão cheias de pensamentos sobre o Japão, e os pensamentos das pessoas têm o poder de criar caminhos. Os Sanshichū usam apenas esses caminhos criados pelos pensamentos para vir ao Japão e parasitar as novas crianças japonesas. Desculpe se foi confuso, mas acho que é basicamente isso. E o Kōtōjutsu é mais ou menos assim: usa-se uma parte do corpo de alguém, ou algo com um forte apego emocional, para esmagar a pessoa com os Sanshichū. É parecido com o Gu (feitiçaria com veneno), mas a maior diferença está aqui? Mas se descobrirem quem fez o feitiço, a vítima vai odiar o conjurador, certo? Por causa desse ódio, cria-se uma ponte de pensamentos entre a vítima e o conjurador, e se a vítima morrer, o conjurador morre em seguida. Por isso, o tabu do Kōtōjutsu é nunca deixar que descubram que foi você.
- [332] Chegou!!
- [333] Hmm, qual o problema de ter mais Sanshichū na vida cotidiana?
[334] E, depois de me desviar tanto do assunto. Eu entendi o objetivo e pensei, “bem, se é Shukushi, não tem jeito”, ignorei o puxão vindo de trás e decidi seguir o Wan-kun. No ritual de Shukushi, existe um método para acalmar temporariamente os vermes Sanshichū, e enquanto eles estavam acalmados, os antigos Xamãs os removiam. Mas hoje em dia, a maior parte da cultura Xamã se perdeu, e apenas uma parte sobrevive. Essa parte foi combinada com outras culturas do Caminho da Esquerda (Sadō), e o que nasceu disso foi o Kinpaijutsu (Técnica da Placa Dourada). Aliás, Caminho da Esquerda é um termo depreciativo para pessoas que não pensam muito no “Caminho” (Dō) e se dedicam apenas a dominar a “Técnica” (Jutsu). Aplicando essas partes do conhecimento Xamã, hoje em dia eles estabilizam as Veias de Dragão infestadas de Sanshichū. Na época, eu não sabia os detalhes de como fazer isso, mas conhecia a existência da técnica. Já que o Wan-kun decidiu que precisava de mim, não tive escolha a não ser segui-lo.
[335] >>333 Acho que não tem nenhum problema em particular. Não precisa se preocupar.
- [336] Oh, obrigado. Continue a história, continue.
- [337] A continuação começou!
- [341] Se existem Caminho, Lei/Método, Técnica e Recipiente, e assumindo que o mais importante é o Caminho (ponto de chegada), se >>331 diz “Os pensamentos das pessoas têm o poder de criar caminhos”, para onde a conclusão deve levar…? Se forem 10 pessoas, 10 cores, a própria interpretação não se sustenta, certo?
[358] >>341 Esse “caminho” aí significa apenas ponte ou algo assim. Boa noite.
[363] Continuação. O que é exatamente o Kinpaijutsu? Pertence ao âmbito da “Lei/Método” (Hō), e eles herdam algo chamado “Kinpai” (Placa Dourada) de geração em geração. O sucessor, ou algo assim, viaja por vários lugares, tentando fazer o máximo de amigos e ter contato com o maior número possível de youkais e seres do tipo. Existe a possibilidade de carregar carma por causa disso. E, no final, por exemplo, se um youkai o provocar, ele diz: “Ei, não está vendo esta Kinpai? Eu sou o discípulo do discípulo do discípulo de Fulano…! Tenho muitos amigos! Se mexer comigo, vai dar ruim!”. Ou, quando está em apuros: “Ei, não está vendo esta Kinpai? Eu sou o discípulo do discípulo do discípulo de Fulano…! Tenho muitos amigos! Me dever um favor não é uma má ideia!”. Quanto mais gerações a Kinpai tiver sido passada, mais forte se torna esse poder de “conexão”, como a raposa se valendo do poder do tigre. Em casos extremos, dizem que podem até dar ordens a deuses.
- [364] >>1 Seu mestre está contratando novatos agora?
- [365] Interessante!
[368] >>364 Talvez se for trabalho voluntário.
[369] Continuação. Quando terminei de descer as escadas, cheguei a um espaço ligeiramente aberto e totalmente escuro. E, embora eu não tivesse notado até então, um cheiro horrível de carne podre emanava de toda parte. Como estava escuro, perguntei ao Wan-kun se não era melhor acender a luz, mas ele disse que era melhor não. Então, o Wan-kun pegou as vísceras removidas na cirurgia e avançou na escuridão. Ele me instruiu a ficar parado onde estava. Como estava tudo escuro, logo perdi o Wan-kun de vista. Ficar sozinho no escuro me deu um pouco de medo.
[370] Depois de um tempo, ouvi um som rítmico de palmas, tan tan tan, vindo do fundo. E o Wan-kun começou a gritar em voz alta “Sonsenlāā–” e outras coisas. Parecia chinês, então não entendi o significado. Eu queria poder copiar essas coisas, mas não tinha conhecimento de chinês, o que foi uma pena. Enquanto ouvia aquela voz por um tempo, ouvi um som de algo arrastando os pés vindo do fundo do espaço. E, muito lentamente, parecia estar vindo na minha direção. Senti um calafrio, mas me disse que estava tudo bem e pensei, por precaução, se havia algo que eu pudesse usar. Como não tinha me preparado, não tinha nada específico, mas tinha um preservativo que guardei no bolso de antemão. Cuspi rapidamente nas duas mãos e peguei o preservativo. Coloquei um único fio de cabelo dentro e, embora não estivesse com vontade de urinar, fiz xixi lá dentro. Então, amarrei a boca dele. Foi meio nojento ter um pouco de xixi na mão.
- [371] Uau >>1 descoberto. Deve ser um trabalho difícil, mas obrigado por responder tão educadamente. Estou lendo com grande interesse.
- [372] >>368 (´・ω・`) Obrigado pela resposta.
- [373] E então? E então?
- [374] E então… e então……
- [375] Quero saber a continuação!
- [383] >>358 Muito obrigado. Está ficando emocionante, vou me concentrar na leitura.
[643] Desculpem a longa ausência. É que meu mestre faleceu por várias razões, então estive ocupado com funeral, organização de documentos, planos futuros e outras coisas (risos)
- [644] >>643 Você escreve isso tão casualmente, mas deve ter sido difícil. Seu mestre morreu em serviço? Ou foi doença ou acidente normal?
- [645] >>643 Sério?! Por que seu mestre faleceu?
- [646] Meus pêsames.
[647] Continuação. Desculpem se esqueceram o conteúdo. Lá no subterrâneo, aquele som estranho de algo arrastando os pés foi se aproximando cada vez mais, mas parou bem no limite onde meus olhos perdiam a visão na escuridão. E lá, o som mudou para algo como passos no mesmo lugar. Eu sabia que o Wan-kun estava fazendo algo relacionado ao “Shukushi”, mas não sabia exatamente o que ele pretendia. Mas, com isso, entendi o que era aquilo do outro lado da escuridão. Tinha ouvido falar que dentro do Kinpaijutsu existia uma técnica chamada “Shitai Hakobi” (Transporte de Cadáveres). A origem principal do Kinpaijutsu era, na verdade, uma funerária. Mas a funerária original era um pouco especial. Antigamente, os corpos eram enterrados na terra natal, certo? Mas como o transporte era muito ruim, se alguém morresse longe de casa, era preciso levar o corpo de volta para a terra natal. E sem deixá-lo apodrecer. Essa funerária, ou melhor, transportadora de cadáveres, acabou dando origem ao Kinpaijutsu. Por que essa técnica surgiu? Porque havia a ideia antiga de que qualquer pessoa, ao se tornar um cadáver, não tem mais pecados, e enterrá-lo na terra natal era um dever dos vivos. Por isso, era necessário fazer o trabalho de transportar cadáveres, mas dá pra imaginar que quem fazia isso não era muito popular, né? Bem, era considerado sujo, ou melhor, trazia uma imagem de mau agouro. Por isso, apesar de viajarem, muitas vezes ninguém lhes oferecia hospedagem ou comida. Mas alguém tinha que transportar os cadáveres. Então, a corte imperial distribuiu “Kinpai” (Placas Douradas) para os transportadores de cadáveres, como uma ordem de que todos deveriam cooperar com eles. E aí os transportadores começaram a dizer: “Nós somos transportadores de cadáveres.
[648] As duas últimas linhas foram erro meu. >>645 Acho que pode ser considerado morte em serviço?
- [650] Não precisa vir aqui se não quiser, cuide da sua vida. Isso aqui é só um desvio. Se não estiver mais fazendo por gosto, pode sumir a qualquer hora.
[651] E então, os transportadores de cadáveres diziam algo como “Somos transportadores de cadáveres, então cooperem”, e conseguiam hospedagem de graça e tal. Com o tempo, isso foi mudando e deu origem à técnica. E o método específico de “transporte de cadáveres” era, na verdade, fazer o próprio cadáver se mover. Dizem que essa é a origem dos Kyonshī (Jiangshi) chineses. Após algum tipo de processamento, eles colocavam o cadáver de pé, amarravam-no levemente com uma corda e, ao puxá-lo, ele os seguia pulando. Pessoas ainda mais habilidosas teriam métodos para fazer o cadáver ir sozinho para sua terra natal, e eles apenas o seguiam observando. No entanto, havia um inconveniente nesse método de fazer o cadáver andar sozinho. Era que o cadáver não podia passar perto de humanos vivos. Não sei bem o motivo, mas era assim. E, naquela hora, o que estava na minha frente era provavelmente um cadáver desse tipo. Aquele espaço subterrâneo com apenas uma porta estreita provavelmente servia para que, se alguém ficasse na frente da porta, o cadáver não fosse para qualquer lugar por conta própria.
[652] >>650 Bem, é bom para espairecer, organizar as ideias, então tá tudo bem (risos). Não estou me esforçando demais.
[654] E assim, esperei na escuridão por cerca de 30 minutos. O Wan-kun deu um grito mais alto e me perguntou em japonês: “Você sabe cantar a Canção da Retidão (Seiki no Uta)!?”. Os detalhes da Canção da Retidão provavelmente estão mais bem explicados na wiki, então vou pular. A Canção da Retidão era uma canção bem conhecida no nosso mundo. Havia várias maneiras de lê-la. O autor, Wen Tianxiang, era uma pessoa incrível, e dizem que seu espírito, ou algo assim, era tão poderoso que, com um grito, ele conseguia repelir qualquer coisa impura. Mesmo quem não conhecia o Kinpaijutsu, ao ler isso, podia pegar emprestado o sentimento de Wen Tianxiang, ou seu espírito, algo assim. Meu mestre também me ensinou à força, então eu sabia cantar. E o Wan-kun pediu para cantarmos juntos.
[655] Por hoje é só. Boa noite.
- [656] Boa noite. Descanse bem e cuide do seu corpo.
- [657] >>655 Boa noite. Cuide-se.
- [660] Mestre… Meus pêsames. >>1, descanse bem também.
[668] Ao ouvir isso, comecei a ler a Canção da Retidão junto com ele, tentando manter o ritmo o máximo possível. Não era muito longa. Mas, estranhamente, conforme líamos, o som de arrastar os pés ia se afastando cada vez mais de mim. E, perto do final da Canção da Retidão, a voz do Wan-kun começou a se aproximar gradualmente do fundo, até que finalmente pude vê-lo. Quando a canção terminou, ele me puxou rapidamente e subimos as escadas. Conforme subíamos, foi ficando mais claro, e quando pude ver o rosto do Wan-kun claramente, fiquei chocado. O rosto másculo do Wan-kun estava coberto de hematomas azuis, e seu corpo inteiro estava coberto por algo como fuligem preta. Subimos para a sala de cirurgia e, exaustos física e mentalmente, tomamos um banho de água fria e trocamos de roupa. Depois, começamos a cuidar do resto, como queimar as roupas originais.
[671] Nesse meio tempo, pedi explicações ao Wan-kun, mas ele me disse: “Não há necessidade de explicar nada em particular”. Bem, não é bom ficar perguntando sobre as escolas dos outros, ou algo assim. No sistema chinês, isso é ainda mais acentuado, é comum o mestre não ensinar tudo nem mesmo ao discípulo. Fiquei insatisfeito, pensando “mas eu ajudei, o que é isso?”, mas na hora, aceitei. Então, o Wan-kun foi conversar com os pais da criança doente que ainda esperavam, e eu voltei para o meu quarto pensando “Essa casa do senhor Li tem uma vibe ruim, quero sair daqui”, e fiquei me revirando na cama. Com medo, não consegui dormir nada e amanheceu. Com fome, desci. O Wan-kun já estava acordado, fazendo seu treino matinal de Kokujutsu (arte marcial nacional) no jardim. Kokujutsu é um tipo de arte marcial chinesa, imaginem algo parecido com o Gyeokjut do coreano ou o Systema russo. Estritamente falando, Hakkyokuken (Bajiquan) e Hakkeshō (Baguazhang) também são tipos disso. O Wan-kun era muito musculoso. Esperei ele terminar o treino, e ele me levou para a cidade, onde tomamos café da manhã em uma barraca qualquer.
- [672] Realmente interessante.
- [673] >>1, bem-vindo de volta! Estava esperando.
[682] Como esperado do popular e bonito Wan-kun, ou algo assim. O dono da barraca disse que o café da manhã era por conta da casa. Bem, era o único arremedo de hospital na cidade, pensei, e fiquei com bastante inveja. Eu também, por causa do meu trabalho, às vezes acho que estou sendo intrometido ao ajudar as pessoas, mas raramente fui tão respeitado. Mesmo que eu ajude, ou não ajude, para as pessoas envolvidas, sou o tipo de pessoa que elas nunca mais querem ver. Comecei a pensar seriamente em ter um segundo emprego como médico, ou algo assim, quando o incidente aconteceu. De repente, um homem vestindo roupas muito grossas e óculos escuros se aproximou da barraca e, de repente, tirou uma pistola do peito e atirou, pá pá, duas vezes rapidamente, no Wan-kun. Assim que o Wan-kun viu o homem sacar a arma, tentou pular para o lado, mas não deu tempo, e levou um tiro na lateral do abdômen e outro na coxa. Mas o que o Wan-kun fez a seguir foi incrível. Mesmo baleado, ele avançou contra o cara, e enquanto eu estava paralisado de medo no chão, sem entender a situação, ele deu um soco no homem e o fez desmaiar.
- [684] Que reviravolta incrível…
- [685] Por que estão tentando matar o Wan-kun?!
[686] Eu nunca tinha visto uma arma antes, muito menos visto alguém ser baleado. Então, meio que por medo também, eu não tinha a menor ideia do que fazer com o Wan-kun depois que ele derrubou o homem. Os locais se aglomeraram, mas eu não entendia o que diziam e não sabia o que fazer. Então, o Wan-kun (※ correção: seria o senhor Li?), ainda consciente, e os locais conversaram por um tempo, e decidiram colocar o Wan-kun, que sangrava muito, em algo como uma versão maior de um triciclo e levá-lo para a casa do senhor Li por enquanto. Eu segui os locais, ainda meio atordoado. No caminho, me falaram várias coisas, mas eu só respondia “Hã?”. Quanto ao homem que atirou, não sei o que aconteceu depois. Chegando na casa do senhor Li, ele (※ seria o senhor Li?) deu várias instruções aos locais, trouxe bandagens e fez os primeiros socorros para estancar o sangue. Nesse ponto, o Wan-kun desmaiou.
[687] Boa noite.
- [690] A história do >>1 é realmente interessante.
- [693] >>687 Bem na melhor parte!! Não me deixe na expectativa!! Boa noite. Ficarei esperando ansiosamente.
[722] Mas, estranhamente. Seguindo as instruções do Wan-kun (※ engano? Instruções do senhor Li?), os locais fizeram várias coisas por causa do sangramento, mas o sangue não dava sinal de parar, parecia vazar constantemente. Usaram bandagens e outras coisas, mas tudo ficava rapidamente vermelho. O único com conhecimentos médicos era o Wan-kun, e ele estava desmaiado. Todos estavam sem saber o que fazer, quando, justamente nessa hora, meu mestre e o senhor Li, que tinham dito que voltariam na manhã seguinte, retornaram. O senhor Li perguntou aos locais sobre a situação, e meu mestre me perguntou. Eu contei que o Wan-kun tinha sido baleado na barraca sem motivo aparente, e meu mestre pareceu surpreso. Ele foi dar uma olhada no Wan-kun, mas como não entendia muito de medicina, só comentou comigo algo como “Ele parece mal”. Senti um leve cheiro de álcool e perfume vindo do mestre. Pensei: “Ah, será que ele me deixou aqui e foi pra um ‘lugar bom’?!”, mas dada a situação, decidi não dizer nada.
[723] Enquanto isso, o senhor Li, que ouvia várias coisas dos locais, disse a mim e ao mestre: “Desculpem por isso ter acontecido. Eu realmente queria mostrar os pontos turísticos, mas agora não é hora para isso. Por favor, usem os quartos da casa livremente e descansem”. Com uma expressão séria, provavelmente para o tratamento, ele parecia estar instruindo a levar o Wan-kun para a sala de cirurgia. Levaram o Wan-kun para cima. Eu fiquei olhando, pasmo. Meu mestre disse algo como “Bem, não tem jeito”, me levou para o nosso quarto e começamos a jogar Hanafuda com as cartas que tínhamos trazido.
Hanafuda é um tipo de jogo de cartas japonês com figuras únicas. Compete-se para formar várias combinações e marcar pontos.
[723] Enquanto jogávamos, claro, conversávamos, e nesse meio tempo, contei ao mestre sobre a noite anterior. Então, o rosto do mestre mudou de cor. Ele disse algo como “Isso é ruim. Preciso contar ao senhor Li rapidamente” e foi procurá-lo.
[724] O senhor Li estava, como esperado, na sala que parecia de cirurgia, e o tratamento ainda parecia estar em andamento. Enquanto esperávamos, o mestre me contou várias coisas. Bem, ele também não era especialista em Kinpaijutsu, então não sabia os detalhes da técnica, mas disse que, aparentemente, na noite anterior, o Wan-kun me fez ajudá-lo a quebrar um Kōtōjutsu que alguém havia lançado na criança. Nós somos especialistas em youkais, então conhecíamos a existência desse tipo de maldição. Kōtōjutsu, acho que expliquei antes, então não vou entrar em muitos detalhes, mas os sintomas comuns são letargia, ficar doente facilmente, se machucar com frequência, e com o passar dos dias, a pessoa piora cada vez mais até morrer. Era esse o tipo de maldição. Meu mestre também não sabia exatamente como quebrá-la. Mas ele disse que, se você quebra um Kōtōjutsu, a pessoa que o lançou sofre um rebote terrível, e para evitar esse rebote, é preciso matar a pessoa que quebrou o feitiço. O Kōtōjutsu é popular em todo o Sudeste Asiático, e a maioria dos especialistas nesse tipo de coisa pertence a grandes gangues locais, recebendo muito dinheiro em troca de amaldiçoar pessoas. Por isso, mesmo que você encontre alguém sob Kōtōjutsu e saiba como quebrá-lo, nunca deve se envolver. Senão, vira uma questão de vida ou morte com o outro conjurador, e a situação fica sem solução. Bem, isso não significa que os mestres de Kōtōjutsu sejam invencíveis. Pessoas desse tipo só amaldiçoam alguém a cada 10 ou 5 anos. Nesse meio tempo, eles vivem esbanjando o dinheiro que ganharam com a maldição.

[725] Desculpem. Estou ficando com sono. Venho amanhã ou depois. Boa noite.
- [726] Obrigado. Foi divertido hoje também. Descanse bem. Boa noite.
- [728] Uau, quero saber a continuação!
- [737] Bump.
- [755] Bump.
- [758] Ele não vem. Estou curioso.
- [761] Será que está ocupado? Quero ouvir a continuação, vou esperar com calma.
- [763] Falando nisso, já passou o sétimo dia do falecimento do mestre?
- [765] Em quem o >>1 vai se apoiar pra viver agora? Ficar sozinho deve ser difícil de várias formas.
- [772] Por favor, cuide da sua saúde.
- [797] Será que ele está bem? Espero que sim.
- [870] Vou continuar mantendo o tópico ativo sem desistir.
- [873] >>1 ainda não?
- [876] Será que ele morreu?……
- [877] O quêêê, não pode ser…
[898] Desculpem por não escrever por tanto tempo, estou com pressa, então vou direto ao ponto. Não posso dizer nada sobre o mestre. Só que a forma como ele morreu estava longe de ser uma morte natural após cumprir seu tempo. Quanto a este tópico, sinto muito mesmo, mas acho que não vou mais escrever aqui. Ficarei feliz se vocês tiverem se divertido um pouco. Se alguém quiser a continuação, pode levar tempo, mas criarei um novo tópico. Acho que consegui escrever uma história bem interessante. Bem, até algum outro lugar.
- [899] >>898 Estou esperando a continuação.
- [900] >>898 Considerando sua relação com o mestre, sinceramente, só de saber que você está vivo já é um alívio. Espero que possa nos contar mais quando tiver tempo.
- [901] >>898 Conte conosco novamente.
- [904] >>1 Obrigado, bom trabalho. Estou ansioso para te encontrar novamente!
[906] Ah, olá. Parece que declararam o fim, mas vou terminar rapidamente a história que estava contando. Enquanto esperávamos o senhor Li na sala de cirurgia, passaram-se 2 ou 3 horas. Quando ele saiu, estava com uma cara de extremo cansaço. Ele disse algo como “Estavam esperando?”, mas meu mestre o interrompeu imediatamente e contou o que eu tinha dito. Conforme ouvia, o rosto do senhor Li ficava cada vez mais pálido. E, ao terminar de ouvir, ele disse que, por algum motivo, não importava o tratamento, o sangramento do Wan-kun não parava. Claro, com os primeiros socorros, conseguiram retardar bastante o fluxo, mas ainda assim, estranhamente, o sangue continuava a vazar, uma situação muito perigosa. Perguntei: “Isso é por causa do Kōtōjutsu, afinal?”. O senhor Li hesitou um pouco antes de me responder: “Sim”. Vou tomar um banho rápido e já volto.
- [907] Chegou──(゚∀゚)──!
- [908] Chegou━(゚∀゚)━!
- [909] Isso vai pro próximo tópico hoje ainda, com certeza.
[910] A cidade, ou melhor, favela onde o senhor Li mora é, na verdade, controlada por uma organização tipo máfia. E o senhor Li é contratado por eles, ganhando a vida com Feng Shui, adivinhação e coisas do tipo. Bem, os detalhes do submundo ficariam longos, então vou pular. Basicamente, essa máfia entrou em conflito com outra, e parece que mataram o chefe do lado inimigo. Então, o novo chefe, talvez para mostrar autoridade aos subordinados, gastou uma fortuna e pediu a um mestre de Kōtōjutsu para amaldiçoar o filho do chefe da máfia local. Como escrevi antes, os mestres de Kōtōjutsu só trabalham uma vez a cada 5 ou 10 anos. Por quê? Primeiro, porque é um ato muito pecaminoso, e fazer demais encurta a vida. Outro motivo é dizer: “Eu só trabalho uma vez a cada 10 anos, então os outros conjuradores que me deixem em paz”. Evitar que interfiram no feitiço também pode ser um motivo, já que isso levaria a uma luta de vida ou morte. Por isso, parece haver uma regra tácita de que outros conjuradores devem ignorar pessoas sob Kōtōjutsu.
[911] A criança amaldiçoada do chefe da gangue era aquele menino trazido no dia anterior. Cerca de três dias antes, o chefe o levou ao senhor Li pedindo ajuda, mas claro, naquela hora, o senhor Li recusou, dizendo que não podia fazer nada. Ele seguiu a regra tácita. Mesmo que fosse alguém muito próximo, havia coisas que ele simplesmente não podia fazer. No entanto, o Wan-kun quebrou essa regra. Bem, sei que não tenho moral pra falar, mas ele era jovem demais. E o fato de ser muito mais talentoso que eu também contribuiu um pouco. Parece que ele era muito amigo do filho do mafioso. Esteve presente no nascimento, cuidou dele e brincou com ele ocasionalmente, e acabou se apegando. Por isso, mesmo sabendo do perigo, ele pensou: “Sou talentoso, mesmo que o mestre de Kōtōjutsu do outro lado tente alguma retaliação, eu consigo dar um jeito e não vou causar problemas pro meu mestre”. Assim que viu que o senhor Li estava fora, ele contatou o chefe e quebrou o Kōtōjutsu. Usando a mim, que não sabia de nada, no processo.
[912] Acho que isso é o tal do carma (Gō), né? Mesmo sabendo, deixar-se levar pelos sentimentos. A conexão com pessoas de quem você se tornou próximo. A conexão com pessoas com quem você brigou. Esses sentimentos complexamente entrelaçados. Essas coisas acabam te prejudicando depois. Mas, mesmo assim, você não pode evitá-las ou se livrar delas. O caso do Wan-kun é um exemplo disso. A criança que ele considerava como um irmão mais novo foi amaldiçoada. Para salvá-la, ele teria que carregar o carma. Mas, mesmo que o perigo o ameaçasse, ele queria salvá-la de qualquer jeito. Meu mestre me ensinou que esses momentos são chamados de “Kō” (Calamidade/Provação). Ainda me lembro do rosto pálido do Wan-kun quando entrei na sala de cirurgia.
- [913] Wan-kun…
[914] O senhor Li e meu mestre conversaram seriamente por um tempo. Aparentemente, concordaram que a gangue rival usou um capanga descartável para ferir gravemente o Wan-kun e depois lançar a maldição. Provavelmente queriam garantir que o Wan-kun morresse. Mesmo que pedissem desculpas, não adiantaria. E ajudá-lo significaria comprar briga ainda maior com o lado do Kōtōjutsu. Meu mestre disse ao senhor Li que, embora quisesse fazer o possível, dadas as circunstâncias, ele não queria se envolver. Senti um pouco de pena do Wan-kun e perguntei ao mestre se não havia nada que pudéssemos fazer, mas ele disse: “Abandone essa compaixão”. E continuou: “Mais importante, preocupe-se consigo mesmo. Você também ajudou a quebrar o Kōtōjutsu, não foi?”. Não há como negar que o Wan-kun usou uma boa estratégia. Ao me usar, ele tentou envolver até meu mestre. Bem, mas meu mestre não é tão bonzinho assim, então, na pior das hipóteses, se eu também fosse alvo da retaliação, ele provavelmente me descartaria sem hesitar, é o que penso até hoje.
[915] Vi a resposta anterior, acho que sal e gengibre provavelmente não são algo para beber todo dia. Ah, pensei que fosse algo para terapia de choque, para vomitar quando você acha que algo ruim te possuiu ou grudou em você. Para youkais, seria tipo “Ugh, algo ruim chegou de repente, fujam!”? Eu mesmo não entendo a lógica, então não posso dizer nada, mas mesmo eu, com ensino médio incompleto, sinto que parece ruim para o corpo.
[916] Mas o senhor Li, diferente do meu mestre, tinha apreço por seu discípulo. Ele realmente queria salvar o Wan-kun de alguma forma. Quando o mestre perguntou o que ele pretendia fazer, o senhor Li apenas balançou a cabeça e desapareceu em algum lugar do quarto. Depois de um tempo, ele voltou e disse “Por favor, pegue isto”, entregando um cortador de unhas. Pensei: “Ah, isso não seria o ritual de Engi?”.
Engi, aqui, refere-se a um ato ritualístico para cortar relações com uma pessoa específica. Atos como cortar as unhas podem ser usados.
[916] Aprendi isso há muito tempo, era um ritual para dizer “as ações desta pessoa não têm mais nada a ver comigo”. E, como pensei, meu mestre pegou o cortador de unhas e cortou as unhas bem fundo. O suficiente para sangrar um pouco. Eu fiz o mesmo. Doeu tanto que meus olhos lacrimejaram. Entregamos as unhas e o cortador ao senhor Li, que quebrou o cortador e colocou as unhas em um saco de pano vermelho. Com isso, até que aquele saco com as unhas fosse queimado, meu mestre e eu não poderíamos trocar uma única palavra com o senhor Li, nem nos comunicar por escrito, nem ter qualquer tipo de interação, mas as ações dele durante esse período não teriam relação conosco. E naquele dia, por causa da passagem de avião, ainda ficamos naquela casa, mas meu mestre e eu passamos o tempo no quarto de hóspedes que o senhor Li preparou, jogando xadrez chinês e tal. Bem, eu passei o dia todo tremendo de medo da retaliação do Kōtōjutsu. No meu caso, não tenho mestre pra me ajudar (risos). Enquanto isso, o senhor Li…
[917] Parecia estar se preparando para algo, a área da entrada estava bem barulhenta. E, no meio da noite. O mestre disse que já ia dormir e começou a roncar no quarto dele. Eu também, depois de tudo, não conseguia dormir, estava cochilando, mas ainda estava muito cansado, e quando finalmente estava prestes a cair no sono, ouvi batidas na porta do meu quarto. Ton-ton. E ouvi vagamente a voz do Wan-kun. O que ele estava falando, talvez fosse chinês? Não entendi direito. Estava meio dormindo. Pensei “O que é isso, a essa hora?”. Pensei em ignorar por preguiça, e quando o fiz, senti de repente um puxão forte na minha perna. Acordei de supetão e me sentei, mas estava tudo escuro e não via nada ao redor, mas senti como se alguém estivesse rindo baixinho, cuscuscus.
- [918] Assustador…
[919] Era sinistro. Tive um pressentimento muito ruim, pulei da cama e fui até a porta para escutar. Desta vez, não ouvi nada. Mas senti um cheiro estranho. Um cheiro familiar. Minha cabeça meio adormecida levou um tempo para reconhecê-lo. Tentei dar uma olhada do lado de fora do quarto e girei a chave da porta, mas ela não se moveu nem um pouco. Parecia que algo muito pesado estava bloqueando a porta. E finalmente, naquele momento, minha mente clareou. E percebi a origem do cheiro. Era o cheiro de coisas queimando e virando carvão. Pensei vagamente “Por que isso de novo?”, e por um tempo fiquei empurrando a porta, gritando, até que fumaça começou a sair pela fresta da porta.
[920] Eu tive certeza, por algum motivo: era um incêndio. Não, quer dizer, eu nunca tinha passado por um incêndio, nem estado em um, mas algo além de mim, na minha própria cabeça, me dizia: “Isso é definitivamente fogo se aproximando”. E pensei: “Isso é muito ruim. Não sei o que aconteceu, mas posso morrer assado aqui”. O que fazer, o que fazer, vasculhei o quarto todo. Não havia janelas no quarto, nenhuma rota de fuga, e nada útil. No meu bolso, tinha o preservativo. Pensei: “Ah, será que vou morrer virgem?”. Foi nesse momento. Bang-bang, algo bateu forte na porta novamente. Tossindo com a fumaça que já entrava pela porta, me aproximei e gritei “Alguém aí?”. Não houve resposta. Achei inútil, mas tentei abrir a porta com um tackle. Então, a porta se abriu com um estrondo, bem facilmente. Eu, que tinha colocado mais força do que esperava, bati a cabeça em algo e gemi de dor por um momento. Quando a dor passou e olhei ao redor, o fogo já estava bem perto. E na frente da minha porta, o que a estava bloqueando? Eram estantes, cômodas pesadas, coisas assim.
[921] Essas coisas estavam espalhadas por toda parte, e certamente não foi o meu tackle que as moveu. Se tivesse sido, eu teria demonstrado uma força sobre-humana incrível no calor do momento, provavelmente conseguiria fazer um Kinniku Buster naquela hora. Quem será que as tirou do caminho? Não tive tempo de pensar nisso. Procurei uma rota de fuga. A direção da escada já estava tomada pelo fogo, não dava para ir por ali. Então, lembrei que havia uma janela no quarto do mestre! Corri para o quarto vizinho do mestre. O mestre não estava lá. Corri para a janela. E gelei. Em duplo sentido. Primeiro, dentro da janela, o reflexo no vidro agia como um espelho, e atrás da minha figura, havia muitas sombras negras. E fora da janela, talvez porque a casa estivesse pegando fogo, tudo ao redor brilhava em vermelho, e lá estavam muitas pessoas com expressões vazias. Deviam ser os locais, parados ali em silêncio, ordenadamente, apenas olhando fixamente para a casa em chamas. Com a quantidade de fumaça aumentando, eu não tive tempo para pensar. Abri a janela com toda a força. E simplesmente pulei.
- [922] Vim acompanhando desde o início do tópico anterior, mas é a primeira vez que leio em tempo real.
- [924] >>922 Igualmente. Valeu a pena esperar.
[923] Claro, não era o primeiro andar, tinha uma altura considerável. Mas, mais do que isso, eu estava em pânico. Naquele momento, parecia a única opção. O primeiro a tocar o chão foi meu pé, e fez “crack!”. Em seguida, bati o corpo com força. A mão que usei para proteger a cabeça também fez “crack!”. Mas, de alguma forma, consegui amortecer a queda. Estranhamente, não senti dor. E, olhando ao redor. Os locais, ao me verem, correram na minha direção. E, ao verem meu rosto, a calma de antes desapareceu como se fosse mentira, todos começaram a gritar, a clamar algo. Alguns começaram a chorar.
[925] A partir daí, perdi a consciência. Não me lembro. Quando acordei, já era de manhã, e eu estava em um carro apertado. Deitado na parte de trás. A mão e o pé doíam muito, e vi que tinham talas de madeira. Espiei o banco do motorista e vi meu mestre. O banco do passageiro estava vazio. O mestre disse que logo chegaríamos à cidade com hospital. Eu estava confuso por causa da memória embaralhada e a dor era tanta que passei a viagem apenas gemendo baixinho. Chegando a um hospital em uma cidade grande, que parecia um ponto turístico, fui tratado por um médico. Bem, aparentemente, fraturas na mão e no pé, e várias outras contusões. Foi a primeira vez que quebrei um osso, e colocar o osso no lugar, aquilo dói muito (risos). Depois que tudo se acalmou, o médico, que falava japonês, disse para eu ficar internado por um dia, fui levado para um quarto, e lá finalmente pude conversar calmamente com o mestre.
[926] Resumindo, o mestre me vendeu. Aparentemente, o senhor Li pretendia me matar no lugar do Wan-kun. Segundo o mestre, pouco antes de fazer o ritual de Engi, o senhor Li usou um sinal de mão típico do nosso meio para perguntar: “Que tal 300 mil?” (Provavelmente em dólares). O mestre pensou: “Ah, isso deve ser sobre o discípulo” e respondeu “Tudo bem”. (Na época, eu ainda não tinha aprendido isso, mas aprendi logo depois desse incidente). A partir daí, o mestre, por um acordo tácito, ficou me entretendo para me manter em casa. E, no meio da noite, ele saiu de fininho. O mestre disse que não sabia exatamente o que o senhor Li fez. Mas provavelmente era uma escolha: ou eu morria e o senhor Li e o Wan-kun se salvavam, ou eu sobrevivia e ambos morriam. Atualmente, o Wan-kun está desaparecido, e o senhor Li ainda está vivo, mas não por muito tempo. O senhor Li pediu ao mestre para me transmitir uma mensagem: “Sinto muito por envolvê-lo nisso. Mas não havia outra escolha. Não peço que me perdoe”. Bem, provavelmente nunca mais nos encontraremos. “Mas você teve sorte de sobreviver àquilo”, concluiu o mestre. Eu ainda não entendia direito o que estava acontecendo, mas com a mão que estava boa, dei um soco na cara do mestre.

[927] Não sei que tipo de ritual o senhor Li fez naquela noite. Talvez tivesse relação com aquele Danryūkō na sala subterrânea. A voz do Wan-kun que ouvi naquela hora também é um mistério. Dizem que o Wan-kun desapareceu, mas para onde ele teria ido? Por que a casa pegou fogo? E o que aquelas muitas pessoas locais do lado de fora queriam? O puxão que senti e as risadas foram alucinações? As coisas que bloqueavam a porta do meu quarto. Quem será que as tirou do caminho? Havia muitas coisas que eu não conseguia entender, por mais que pensasse. Mas as muitas sombras refletidas na janela. Isso eu sei. Eram, sem dúvida, as doninhas, queimadas e carbonizadas pelo fogo. Bem, essa história é mais ou menos assim. Desculpem pela narrativa um pouco apressada.
[928] Bem, a lição que aprendi depois disso foi nunca mais viajar para o exterior com o mestre.
- [929] Finalmente acompanhei tudo. >>1, bom trabalho! O mestre é bem cruel também… Senti novamente como essa área é incrível. A história do >>1 termina aqui por enquanto?
[931] >>929 Hmm, o que devo fazer? Bem, pra mim tanto faz, mas acho que essas pausas longas são comuns. Estão mantendo o tópico ativo, mas sinto muito pelas pessoas que estão esperando.
- [932] >>931 Obrigado! Fiquei assustado por não ter ido. Vou tentar ir. Suas experiências são interessantes, mas queria que respondesse a várias perguntas também.
- [935] >>1 Bom trabalho. Se o >>1 voltar quando tiver vontade, mesmo que demore, não me importo de esperar. Quero dizer, quero ouvir mais. Mas logo deve surgir a conversa sobre o que fazer com o próximo tópico, então que tal decidir só isso por enquanto?
[937] Próximo tópico, hein? Então, vou contar uma pequena história aqui e depois eu crio o tópico.
- [938] Vim de um site agregador. Quero a continuação.
[940] A história do meu primeiro trabalho sozinho. Não foi tão assustador assim. Na época, meu mestre ainda estava vivo, uns 3 anos atrás, talvez. Um homem de quase 30 anos veio nos procurar, dizendo que algo estranho estava acontecendo na casa onde morava e queria que déssemos uma olhada. Ouvindo a história dele, aparentemente o apartamento era bem velho, o homem trabalhava muito à noite e raramente estava em casa nesse horário, mas o síndico disse que recebia reclamações dos vizinhos sobre barulho vindo da casa dele no meio da noite. Mas os horários mencionados eram claramente quando o homem não estava em casa. Quando ele disse isso ao síndico, ele respondeu: “Isso é estranho”.
[941] E, depois de mais um tempo. Novamente vieram reclamações dos vizinhos para o síndico, e o síndico reclamou, mas o homem disse que era impossível, pois estava trabalhando. E, como naquela noite ele também tinha trabalho, saiu de casa normalmente. O síndico, ouvindo a história do homem, pensou “Será que é um ladrão?” e ficou um pouco preocupado, decidindo dormir no apartamento naquele dia. E, no meio da noite, o quarto do homem estava realmente barulhento. Ele foi até o quarto e perguntou “Tem alguém aí?”, e de repente tudo ficou quieto. Mas o síndico sentiu a presença de alguém observando de dentro do quarto. O síndico usou a chave reserva do quarto, abriu a porta e deu uma olhada lá dentro.
[942] E, estranhamente, não havia ninguém no quarto. O síndico ficou com medo e contou essa história ao homem. O homem e o síndico, numa história bem clichê, colocaram uma câmera no quarto. E programaram um timer para gravar por 1 hora no horário em que o barulho costumava acontecer. E, como esperado, naquele dia a casa ficou um pouco barulhenta, e no dia seguinte, ao ver a câmera, só se ouvia o som de coisas acontecendo no quarto vazio. Claro, nada se movia.
[943] O síndico administrava vários apartamentos, então tinha alguns contatos relacionados a problemas residenciais, Feng Shui e coisas assim. Como o síndico tinha um compromisso e não pôde vir, naquele dia o homem veio sozinho nos consultar. Bem, primeiro vimos o vídeo. Como não tenho sensibilidade espiritual, fiquei quieto, e o mestre ficava dizendo “Hmm”, “Entendo”, com uma pose de quem entende muito. Mas, pela minha longa experiência, percebi que ele provavelmente também não estava entendendo nada. Quando o homem perguntou “E então?”, o mestre disse: “Por enquanto, vou mandar um dos meus para dar uma olhada na situação”. Acho que nesse estágio, o mestre perdeu a vontade de se envolver com um morador de apartamento velho e seu síndico. Provavelmente não daria muito dinheiro. E, pela primeira vez, ele me disse: “Vá sozinho. Você já é capaz de ir sozinho agora”.
[944] Fiquei um pouco nervoso por ser meu primeiro trabalho sozinho. Como era um caso comum, provavelmente um trabalho leve com poucos danos reais, não estava particularmente com medo. Pensei que, se fosse um youkai, provavelmente seria do tipo “Irusu” ou algo assim.
Irusu refere-se a youkais ou fenômenos que fazem barulho quando não há ninguém em casa, fazendo parecer que há alguém. Deriva de “irusu” (fingir estar em casa).
[944] Irusu, bem, escrito em kanji seria 居留守 (fingir estar em casa), e um exemplo famoso é o Azukiarai.
Azukiarai é um youkai japonês que se diz fazer um som como o de lavar feijão azuki perto de rios.
[944] Bem, de qualquer forma, havia a possibilidade de ser um fantasma, então decidi proceder com um pouco de cautela. Chegando ao apartamento, o quarto era pequeno, cerca de 7 tatames, com piso de madeira. Então, primeiro, espalhei uma mistura de farinha de trigo, sal e arroz velho finamente e uniformemente pelo chão. Acho que escrevi isso bem antes. Qual a diferença entre fantasma e youkai? Fantasmas causam principalmente efeitos mentais, mas youkais podem causar efeitos físicos também. Por isso, se você espalhar essa farinha + outras coisas (a receita detalhada é segredo de empresa) no chão, se for um youkai, ele deixará pegadas. Fantasmas não deixam. É por isso que se diz que fantasmas não têm pés.
[945] E então, à noite novamente, o homem ficou na casa de um amigo. No quarto, deixei a câmera de vídeo gravando. E o pó espalhado no chão, claro. Mais tarde, ao verificar, nada de especial apareceu na câmera, mas no chão havia um leve rastro, como se algo tivesse sido arrastado por um fio. Irusu é um termo genérico para aqueles que fazem barulho quando não há ninguém no quarto, e existem vários tipos, mas expulsá-los não é tão difícil assim, ou melhor, antigamente todo mundo fazia isso. Fiz uma cara séria e disse: “Por enquanto, farei um exorcismo”, tirei talismãs e outras coisas, fiz algo que parecesse apropriado e depois disse ao homem e ao síndico: “Vou passar a noite aqui hoje para observar a situação”.
[946] No meio da noite, apaguei as luzes e abri a janela do quarto. Acendi uma única vela perto da entrada da frente e joguei feijões da entrada em direção ao fundo do quarto. Tipo aquele “Fuku wa uchi, oni wa soto” (Sorte para dentro, demônios para fora).
“Fuku wa uchi, oni wa soto” é o grito usado durante o Mamemaki (lançamento de feijões) realizado no Setsubun (mudança de estação) no Japão. Significa “Boa sorte para dentro de casa, demônios maus para fora”.
Mamemaki é um ritual tradicional realizado no Setsubun, onde feijões de soja torrados são lançados para afastar os maus espíritos.
[946] Mas, claro, não eram os feijões comuns que se jogam, eram aqueles feijões deixados de molho no meu próprio xixi por uma noite e depois secos. E cantei um poema: “Vá embora, vá embora, há muitas casas mais confortáveis do que esta, vá para uma casa melhor do que esta. E faça suas travessuras lá. Se fizer isso, irei te dar mais feijões”. E, por fim, fechei a janela e apaguei a vela. Fim. Bem, por que mandá-lo para uma casa melhor? Porque assim, quando eu for expulsá-lo de lá, posso cobrar mais dinheiro. E então, expulsar de novo, dar feijões… é um negócio lucrativo tanto para o outro lado quanto para mim.
[949] Vou dormir por hoje. Podem fazer perguntas no novo tópico.
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